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ESTREIA – O Espião que Sabia Demais: Critica, entrevistas, fotos, clipes, trailers…

Enviado por em 12 de jan de 2012, sob Dicas, Notícias e Informações

Embora seja um filme de prestígio, acabou sendo esquecido pelas premiações mais importantes americanas. Este projeto é o primeiro trabalho internacional do sueco que criou o original Deixe Ela Entrar, em 2008, uma obra-prima recente do Terror. Mas para bem entender suas opções e alternativas é bom ter uma informação que o influenciou.

 

Há muitos anos , quando estavam no auge da moda os livros de espionagem de John Le Carré (O Espião que Saiu do Frio, Chamada para um Morto, O Alfaiate do Panamá, O Jardineiro Fiel, A Casa da Rússia e que faz aparição como convidado da festa de Natal), foi produzida uma versão desta história para a televisão britânica que foi muito premiada e elogiada. Foi em 1979, dirigida por John Irvin, com Alec Guinnes, Michael Jayston e Ian Bannen. Tanto que nunca foi esquecida e hoje existe lá fora disponível em DVD. Tanto que Guinness voltou a interpretar o mesmo personagem George Smiley em outra minissérie, chamada Smiley´s World, 82, em que ele sai da aposentadoria para resolver um problema com o pessoal do “Circo”.

Por isso, quando resolveram transpor a mesma história para o cinema com outro ator, obviamente resolveram não fugir muito daquela versão e, assim, Gary Oldman foi constrangido a seguir a mesma linha que Guinness (um ator de que nunca gostei, é composto, constrói o personagem de fora para dentro, planeja seus tiques e detalhes, em vez de sentir de dentro para fora. Por isso, resulta frio e falso). Prefiro Oldman, mesmo que controlando sua energia e talento (ultimamente menosprezado em papéis menores em filmes grandes).

Só que ele se conteve tanto que, no final das contas, quase desapareceu, ficou neutro e por isso não foi mencionado pelos prêmios. O filme comete outra falha grave na escalação de elenco. Desde moleque que eu matei essa charada. Mesmo sendo o filme de suspense e com revelação inesperada no final, basta ver quando um ator famoso tem um nome em destaque no pôster é porque ele é o vilão, principalmente se seu papel parece pequeno à primeira vista. Isso acontece aqui, embora eu não entre em maiores detalhes (nunca cometam o erro de pensar que o público é bobo; é distraído, preguiçoso, mas nunca bobo).

Como se não bastassem tantos problemas, tem mais outro: o filme tem um visual rebuscado e interessante, constrói clima, mas não mexe com a gente porque não nos interessamos por ninguém, vemos tudo de fora, cada vez menos ligados na trama. Também ajuda que os fatos tenham ficado velhos.

Tudo acontece durante os anos 70, quando estava na moda descobrir que agentes britânicos (e americanos também) eram traidores vendendo segredos para os russos e, às vezes, chegando ao auge de fugirem para a União Soviética. Esse ciclo de traições e lealdades vendidas da Guerra Fria atingiu seu auge no período em que este livro foi escrito (afinal conhecia a organização de dentro para fora) e traz como protagonista George Smiley, que havia caído em semidesgraça/aposentadoria por manobras internas, mas é chamado de volta quando se percebe que existe um “mole” traidor no mais alto escalão da organização. E descobrir quem é passa a ser uma prioridade envolvendo muita gente e muitos perigos.

Durante o filme, já vamos acompanhando a ação do agente Jim Prideuax (Strong) que vai até a Hungria cumprir uma missão, aparentemente é morto, mas ainda escapa para se tornar um modesto professor. Tudo que será mostrado dali em diante terá alguma importância no desenlace da história, enquanto vamos conhecendo todos os envolvidos, que incluem um jovem agente machão (o talentoso Tom Hardy de O Lutador e A Origem) que fica obcecado por uma agente russa que sumiu. Dou-me conta agora que quanto menos comentar sobre a trama melhor para o telespectador, já que no grande elenco não há grandes destaques (mas os fãs de Sherlock Holmes da tevê irão reconhecer o sujeito alto ruivo de nome difícil, Benedict Cumberbatch, veja matéria adicional sobre ele).

Enfim, quando veio a revelação e as reviravoltas, não conseguiu ser muito surpresa para mim. O filme morno e benfeito acaba não empolgando e não chega a cumprir sua função.

Por: Rubens Ewald Filho (Crítico de cinema do R7)

O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Sailor Spy).

Diretor: Tomas Alfredson. Playarte. Inglês, 2011. 127 min.

Elenco: Gary Oldman, Colin Firth, Mark Strong, John Hurt, Tom Hardy, Toby Jones, Ciaran Hinds, Kathy Burke, Benedict Cumberbatch, David Dencik. Drama de espionagem.

 




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